A VULNERABILIDADE PERANTE O INVISÍVEL

March 23, 2020

       

 

 

      Estava olhando pela janela da minha casa, costumo fazer isto, gosto de olhar a árvore majestosa que habita a casa do vizinho. Ela está vestida de rosa, começando a trocar de roupa para a chegada do outono, somos amigas silenciosas. Dentro da sua sabedoria ela sabe que algo aconteceu, não costumamos nos olhar nesta hora do dia, a rua está com uma imensa quietude, até mesmo os latidos inconstantes dos cachorros estão silenciados.

        Eu, estava ali, na tentativa  de compreender o momento que estamos vivendo, busquei por alguns minutos silenciar a mente e perceber a vulnerabilidade que existe não apenas em mim, mas em cada um de nós.

        A vulnerabilidade perante o invisível, as incertezas sobre a vida e a morte.

       Nossos meros olhos não conseguem enxergar aquele pequeno vírus que na sua simplicidade biológica, consegue causar uma pandemia e  movimentar o mundo inteiro.

Estamos repletos de incertezas,  imersos em  um período de resguardo , de sermos solidários com a individualidade, que apesar da ambiguidade aparente, nos coloca em uma posição de consciência, de convívio mais íntimo conosco e com quem compartilhamos a vida

        O momento é de sofrimento, não temos como fugir do contexto atual, o que nos cabe aqui é sermos compassivos conosco e ativos com o mundo.

        Talvez seja o momento de perceber quem somos, avaliar nossos comportamentos, compreender o que de fato importa na vida  e agir como sociedade empática.

        Talvez seja o momento de sermos como minha amiga, que troca de roupa apenas em cada estação, que consegue suportar as fortes rajadas de vento porque é flexível perante as adversidades, que tem raízes fortes que a sustentam e consegue viver em harmonia consigo e com o universo.  

 

 

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